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Prezados Professores,

Se você tem um projeto de leitura utilizando os livros ou contos do autor DENIS CRUZ, mande para o email deniscdacruz@hotmail.com, para publicarmos aqui no blog, com os devidos créditos.

Também podemos avaliar projetos de leitura com outros livros da rede de Educação Adventista, bem como sugestões de leitura.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

[Conto] O Céu de Zalika - Projeto de Leitura


 (Podemos fornecer o presente Projeto de Leitura em formato .doc. Basta solicitar por email deniscdacruz@hotmail.com)

Segue abaixo texto O CÉU DE ZALIKA e seu Projeto de Leitura. O projeto é para todas as séries, devendo o educador fazer a adequação das atividades sugeridas.

 
O CÉU DE ZALIKA
Denis Cruz
Zalika, menina de pele negra, estava sentada no terreiro de casa, olhando para o homem de terno encardido que conversava com sua mãe. O homem ela conhecia. Era um missionário que sempre estava pelas vilas ali perto, acompanhado de um tradutor chamado Taú. Ele falava de um tal Jesus, de sua morte numa cruz e de um lugar chamado céu, onde haveria tudo de bom, para sempre.

- [Zalika já tem idade para ser vendida] - dizia a mãe da menina em um dialeto africano, enquanto Taú traduzia o missionário.

A conversa já durava um bom tempo, e a cada frase o pequeno coração da menina se apavorava ainda mais. Sua mãe falava em vendê-la para comprar alimento para a família. Taú traduzia as palavras do pastor, mas nenhuma parecia convencer a mãe. Zalika estava com medo. Não sabia o que acontecia com as meninas ou meninos vendidos; só sabia que eles nunca mais eram vistos.

- [Então o missionário comprará sua filha] - disse Taú e a mulher silenciou. - [Não a venda para os traficantes que rodeiam a vila. O missionário a levará agora, se a senhora permitir.]

O Pastor Jacó tirou algumas notas do bolso do paletó suado e as estendeu para a mãe da menina. Ela pegou o dinheiro e o contou, gritando em seguida:

- [Menina! Pegue o que é seu e vá com esse homem daqui].

Aproximando-se de Zalika, Taú lhe falou baixinho:

- [Não precisa pegar muita coisa. Você não vai precisar.]

A menina entrou no casebre armado com tocos e coberto de palha. Além de uma boneca suja e esfarrapada, não tinha mais o que pegar. Saiu com a bonequinha pendurada na mão e olhou para a mãe que sequer virou-se para ela. Zalika esperava alguma palavra de despedida; talvez um beijo, ou um abraço. Nada recebeu.

O missionário Jacó segurou em sua mão encardida e a conduziu para dentro de um carro. A menina olhou para trás, fitando dois irmãos tão negrinhos como ela, sentados no terreiro. Pensou sobre o futuro deles e temeu pelo próprio futuro, pois não sabia o que lhe iria acontecer.

O carro sacolejou na estrada de chão, levantando poeira vermelha. Jacó tomou algo de um cantil e o estendeu para menina, dizendo algumas palavras que ela não entendeu. Mesmo assim tomou do líquido fresco do cantil. Era algo tão bom, sem gosto e ao mesmo tempo tão gostoso.

- [É água limpa] - explicou Taú em seu dialeto e riu com a expressão de surpresa da garota. Sabia que ela, possivelmente, nunca havia tomado água que não fosse suja.

Quando o carro finalmente parou na fronteira, soldados olharam para dentro e começaram a discutir qualquer coisa com Jacó e seu tradutor. Zalika suspeitava que o motivo da discussão era sua presença naquele carro, pois os soldados gritavam e apontavam os dedos e armas para ela.

Mais uma vez Jacó colocou a mão no bolso e a menina lembrou-se de suas histórias sobre Jesus: "Ele pagou um preço por você"; "Jesus, na cruz, pagou com a própria vida para que você pudesse ser salva." Será que o missionário estava, naquele momento, pagando por ela?

Os soldados abriram caminho e Taú limpou o suor da testa, voltando a falar com Jacó, sem ela conseguir entender a língua deles.

Depois de muito tempo na estrada, entraram numa cidade, passando por várias ruas e estacionando em frente a uma casa grande de paredes com a pintura corroída.

- [Dora, esta é Zalika] - Taú a apresentou para uma senhora de pele morena, bem mais clara que a sua.

A mulher sorriu e ao mesmo tempo a avaliou, mexendo em seus cabelos fartos e encardidos de poeira e olhando em baixo das unhas imundas. Resmungou alguma coisa que fugiu ao entendimento da menina e a puxou para o pátio da casa, levando-a até um tanque e esfregando-lhe as mãos. A mulher gritou algo para dentro da casa e uma moça veio em seguida, com um copo cheio de um líquido que parecia água barrenta.

- [Prove!] - disse Dora, numa tentativa de falar o dialeto da garota.

Zalika deu uma pequena bicada no copo e depois o tomou de uma vez só, sentindo o gosto adocicado e, para ela, indescritível.

- [Leite com chocolate] - Taú explicou de novo. - [Mais tarde você pode tomar mais.]

Dora a levou primeiro para o pátio, onde seu cabelo foi lavado e cortado. Depois Zalika foi para o banheiro e não acreditou que estava debaixo de um jorro de água limpa. Várias vezes ergueu a boca e fartou-se.

Em seguida a governanta lhe deu roupas limpas e mostrou seu quarto, que era dividido com outras cinco meninas, todas resgatadas das vilas das redondezas; todas vítimas de alguma violência daquele cenário de guerra.

Depois de se arrumar, Zalika olhou sua própria imagem no espelho. Cabelos aparados e penteados. Pele limpinha e rosto sem aquele acúmulo de poeira grudando no canto dos olhos. Havia um belo sorriso naquele rostinho de menina quando outra garota a puxou pela mão e a arrastou pelos corredores da grande casa, até alcançarem uma sala onde havia uma mesa, com várias meninas sentadas. Na ponta estava Jacó, Taú e Dora.

- [Feche os olhos que o Pastor Jacó vai orar.] - disse a nova amiga.

Zalika fechou os olhos e ouviu as palavras sem sentido do missionário. Todas as meninas começaram a se servir. Havia pão, manteiga e um caldo maravilhoso (era apenas macarrão e legumes, mas para Zalika, como eu disse, era maravilhoso). A recém chegada se fartou. Nunca na vida tinha comido algo tão gostoso. Nunca na vida tinha comido em tanta quantidade e, por isso, a fome tinha sido uma parceira indesejável, porém constante. Lembrou-se dos banquetes que o missionário falava quando ia na vila.

- [Você sabe onde está?] - perguntou-lhe a menina à sua frente.

- [Eu sei] - Zalika respondeu com um sorriso franco, revelando um pão dentro da boca. - [Eu estou no Céu!] - e algumas lágrimas caíram de seus olhos.

xxx
PROJETO DE LEITURA
O Céu de Zalika
Autor: Denis Cruz
Turmas: Todas as séries, devendo o educador fazer a adequação das atividades sugeridas.
Disciplinas: Língua Portuguesa, ensino religioso
Tema: Caridade, missão, evangelismo, céu.

JUSTIFICATIVA

No cenário mundial é comum flagrarmos situações de total abandono e violência à criança. O estado de miserabilidade é terrível em muitos países e as crianças são as grandes vítimas.
Algumas pessoas, movido por um senso de caridade, movem-se de maneira maravilhosos para amenizar o impacto da violência e miséria na vida de crianças. É importante, assim, que o jovem compreenda o que é caridade e seja motivado a ter mais amor e compaixão pelo próximo, mediante ações concretas.

OBJETIVOS
•    Entender a miséria que há no mundo.
•  Compreender quão abençoados somos, em detrimento de algumas dificuldades.
•    Motivar atos de caridade.

SUGESTÕES DE ATIVIDADES
1.    Apresentar a palavra “miséria” e deixar os alunos darem seus conceitos sobre ela.

2.    Apresentar a palavra “caridade” e deixar os alunos darem seus conceitos sobre ela.

3.    Pesquisar sobre locais no mundo onde a miséria é um grande problema. Quais os motivos de tal miséria? Quais ações sociais estão sendo feitas nesses locais?

4.   Ler o texto e propor as seguintes questões:
a. Por que o Pastor estava naquele local? Por que ele mantinha uma casa de abrigo para crianças?
b. Como era o relacionamento de Zalika com sua mãe? Ela esperava que fosse diferente?
c. Existe no mundo pais que vendem seus filhos?
d. Por que Zalika achou que estava no céu?
e. Se compararmos a vida do aluno com a de Zalika, qual a diferença? O que os alunos possuem que Zalika não possuía em sua casa?

5.    Após a leitura, iniciar um diálogo com os alunos, questionando:
a. Existem situações parecidas com as de Zalika próximo onde vocês estão? Por quê o álcool é liberado, mesmo sendo tão prejudicial?
b. O que os alunos podem fazer, concretamente, como forma de levar um pedacinho do céu para essas crianças?
c. SUGESTÕES DE AÇÕES:
• identificar uma casa de abrigo de crianças e agendar uma visita.
• levar brinquedos e/ou roupas para essas crianças.
• fazer um piquenique com as crianças do abrigo. (nossa sugestão é que o piquenique seja com frutas e pães levados pelas crianças e que também tenham atividades no local - nada que ultrapasse mais de uma hora e meia.)
 
Denis Cruz
Escritor

2 comentários:

  1. Seus livros são um sucesso!!!

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  2. Olá Denis!! Adorei sua iniciativa de realizar contos sobre crianças africanas e trabalho missionário!! Parabéns!!!
    Gostaria de deixar algumas observações:
    1. Acharia interessante você falar mais sobre a cultura da criança, porque sabemos que os pré conceitos ainda estão enraizados em nossa sociedade sobre os africanos e negros, e acredito que não falar de onde são essas crianças de uma forma rápida e dinamica como você fez em todo o texto, acaba reforçando isso, seria muito importante que o leitor tivesse uma rápida idéia de qual é o país e qual é essa guerra que resultou na venda das crianças.
    2. Também acharia bem legal se fosse destacado que não é costume do povo africano vender crianças, pois para eles os filhos são a verdadeira herança e que quando a criança fica orfã, um parente próximo a adota, ou seja, vender ou dar uma criança, para eles somente em situação de guerra ou de completa falta de esperança.
    3. Eu realmente adorei a expressão menina de pele negra, contudo expressões como negrinhos me soou como um senhor de engenho chamando seus escravos.
    Eu realmente tenho um amor especial pelo continente africano e isso me fez ir trabalhar como voluntária em educação em Moçambique por 6 meses e depois realizei trabalho missionário em escola adventista nas Mahotas, próximo a Maputo.
    Ameiii sua iniciativa de coletar livros, eu fiz algo parecido no final de 2011 e levei livros para nossa escola adventista das Mahotas.
    Denis mais uma vez, parabéns pelo texto!!!
    Abraços,
    Stella.

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